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Viagem no tempo


Hoje recebi pelo correio o meu prémio de milionésima 'freguesa' da página Respingador Respingadora do facebook.

Ando maravilhada com as coisas que eles encontram no sótão tanto pelas memórias que me trazem:

O meu pai tinha uma e eu achava muito estranha aquela lata. A minha mãe usava-as e ralhava-me sempre por tentar brincar com elas. Eu tinha a fábrica e ainda me recordo de ficar horas a apreciar como desenhos tão simples podiam ser tão explícitos (mais tarde aprendi o que era o design), e o serviço de chá que eu adorava encher de água e servir na varada. Era fascinada pelas pistolas de água só não me recordo se, de facto, era dona de uma. E obcecada pelo sabichão que eu acreditava piamente ser mágico.

como pela peculiaridade da coisa:

A colher medidora
Envelopes e cartões de condolências
Os rostos sem dono

e ainda outras que me fazem crer ser brinquedos ideais para a O. e para mim:

O frigorífico
O armário
Os carimbos + 1

e por fim, aquelas que eu queria ter:

Porque esqueci-me como gosto de escrever à antigamente. E porque sempre adorei carimbos. E porque acredito que já não se fazem como antigamente.


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Isto faz todo o sentido (?) - B day




Chego ao fim de 30 constatações para perceber (depois de varias horas metida numa sala de urgências onde a minha diversão é tentar fazer dos médicos e enfermeiras uma telenovela da vida) da perda de tempo que foi estes (pelo menos) 20 anos que andei para aqui a desaprender o que já sabia.
E isto tudo que era suposto fazer finalmente todo o sentido faz e não faz e não me leva a lado algum.
A maior constatação delas todas é que isto é o que eu sou mas também já não sou e não vou mudar mas vou mudando.
Mas quando o faço sem pensamento criativo fico sempre devastada como uma mulher violentada e esventrada..

either way.. you better like it or don't, i dont give a shit.


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Cheerleader

A caminho da escola decido tomar um outro caminho tentado um novo atalho.
Ora eu sou daquelas que facilmente perde o Norte e dificilmente encontra o Sul (mesmo com a bússola).

Ela: Por aqui?
Eu: Sim filha, hoje vamos por aqui... a ver se consigo.
Ela: Consegues mãe!

(engulo o coração)

Eu: Obrigado filha.
Ela: Tu consegues mãe.
Eu: Pois consigo!
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dias assim...




Em que nos levantamos da cama tipo zombie. com a cara inchada de sono o dia todo. a arrastar as pernas deslocadas do corpo descubro que tenho a cara coberta de borbulhas que nem adolescente em pré- menstruação.
Qualquer tarefa parece avassaladora e demoramos uma media de 5 horas para completa-la. depois de uma média de 3 horas de mentalização.
Decidi que precisava de mimos e fui ao cabeleireiro. fechei os olhos e quase adormeci no lavatório. enquanto me penteia o cabelo sugere-me, na sua boa fé no negócio, o creme baba de caracol. diz-me na sua inocência e dando o golpe certeiro e cruel "sabe menina que para o seu problema de pele tenho a solução" e remata "para esses papos".
Estava tão carente que até deixei esticar-me o cabelo. saio de lá com um capacete volumoso que domo mal chego a casa. enquanto inspecciono os "papos".
Um saco do lixo a arrebenta no meu pé, sapato e calça. mudar de roupa e ter que suportar uns saltos altos.
ir ao banco e voltar atrás porque deixei o cheque em casa. parar no talho e não conseguir rodar a chave para ligar o carro. chegar a casa e não encontrar as chaves de casa.

vou dormir.

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asus






ai ai ai aiiiii...
foi assim. um devasso deu cabo do meu bichinho com 4 ou 5 pancadas. assim porque que lhe apeteceu.
antes deu-me cabo do carro. sempre me deu cabo da cabeça.
olha é bom que dês uma solução a isto porque aquele ecran azul a pedir a assistência não é nada bom. e eu sinto-me assim que orfã do mundo, sozinha, sozinha... a navegar num outro assento onde não encaixo lá muito bem.
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O meu dia

tribunais, rolo fotografico 200, euro-milhões, papeis e mais papeis, centro de emprego, telefonemas, segurança social, fotocópias, net, finanças, declarações, dinheiro...




(estou mortinha por colocar o filme na maquina fotográfica que me viu crescer!)

p.s. ainda não foi desta que fiquei rica.
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Só para o caso...






Amor, sei que digo que não e muitas vezes te disse para nunca, nem sequer, tentares porque dirte-ei que não, que nunca.
Mas no dia em que o meu coração se render à lamechice pirosa e pegajosa que todo o evento evoca e eu cair nos teus braços num lânguido e fugitivo "Sim" espero que me recompenses com algo assim...


(e não isto não é um ensaio ou um pedido para o dia dos namorados, livra-te!
)
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Aqui

Sou filha da cidade e refugiei-me numa vila a pensar que era uma cidade.
Gostava de apregoar: "Vivo numa cidade que mais parece uma aldeia".
Afinal era uma Vila.
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Humpff!!...

Temos uma infestação de traças.


Nascem por todo lado. Pareciam sair principalmente da despensa.


Lá fui eu armada em salvadora da pátria. De pano na mão puxei tudo o que tinha na despensa para fora. Limpei tudo. Deitei muita coisa fora.


A seguir de Raid (passo a publicidade) na mão, tanto dei ao gatilho, num acto misto de desespero e fúria, que quase que iliminava era a mim.


Da despensa já não sai nenhuma. Mas elas continuam a aparecer como magia. Triunfantes sobre o tecto banco.


E eu feita caçadora de vampiros (leia-se Buffy) de cabo de vassoura na mão quase que liberto um riso maquiavélico quando ouiço o leve esborrachar do cabo da vassoura contra parede...
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Uma cultura de fumo a cair por terra..


A placa azul baloiçava pendente em duas correias. Determinava o espaço restricto de um bar. Para o fumadores uma parte do varandim que se situa acima do palco. Estreito e iluminado por focos ambiente.

Eu não fumo. Não fumamos. E talvez por isso nos passe um bocado ao lado esta lei. A não ser que nos incomode.

Estavamos a assistir a um concerto do varandim. E no meio disto o segurança aborda-nos pronto a empurra-nos para debaixo da placa, justificando-se simpáticamente, que temos de estar para trás da placa... mas nós não fumamos. E logo ali nos pediu desculpa.

Os outros. Os outros foram empurrados para um corredor. Tal manada tresmalhada.

Tudo a fumar.

Em jeito de pecadores..

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Herança difícil de herdar


A mulher de saltos altos sai à rua quando bem lhe apetece. Não pede autorização. Não requisita o corpo. Sai e pronto.


A mulher de saltos altos é uma mulher bonita. Envolta num perfume que lembra o mais céptico do amor. De passo seguro e leve que lembra à mais esquecida da poder do feminiliadade. E transporta na sua pequena e graciosa mala uma amostra de sonhos e romance.


Não anda de transportes públicos. Pouco anda. Os sapatos esses têm conta passos. Por dia são permitidos 50 passos. Dos pequenos. Tudo acima disso é bem pago. Com uma dor de pés de 3 dias. Pago pela outra. A que anda a pé ou de transportes públicos.


No Domingo saiu à rua pela mão do desejo. Com o Sol a acariciar-lhe a face em tom de romantismo. E o bâton impregnado nos lábios num ensaio de desamores.


Fez a vontade à mãe implacável e exigente que, pelos seus muitos anos, lhe vão apagando lentamente a condição de mulher. E ao marido sequeoso, que meio tonto com a coisa, permitiu-se à cautela e ao título de guardião. Não fosse o desejo virar de outro. E contra ele.


Quando chegou a casa tirou os sapatos mais feliz que ao calça-los. Guardou-os na caixa dentro do armário. Na parteleira de cima.


Despediu-se dela com a sensação que estavam cada vez mais curtos estes espaços entre elas. Mas suspirou numa mistura de felicidade e alívio. E voltou para a cama do lado do seu marido e da sua filha. A pensar na loiça suja e na roupa por lavar. Mas satisfeita por ter feito jus à sua herança.


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Soltou-se um sorriso


Um gritinho histérico... A ansia a trepar o meu corpo de metro e meio. Ganho impulso, com uma criança ao penduro num dos braços e um saco de compras mais uma mala no outro. Sobe 4 lançes de escadas. Que o elevador demora muito e assim é mais ecológico. Só para ver o que estava dentro daquele envelope.

Abrir o envelope sorrir com o esperado e com o inesperedo.

Continar a sorrir..




Obrigado Eunice.


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ode à senhora da loja ao virar da esquina

As coisas mudam. estão sempre a mudar. e isso é bom... ou mau? Aqui as coisas estão a mudar. ou sou eu que mudei. a visão que tinha das coisas? não sei. sei que esta mudança para mim está a ser boa. daquelas que queremos que aconteçam. afinal Lisboa não é assim tão fria. até é bem quentinha. mais sol. mais calor. mais luz.
E aqui? aqui até existem pessoas de alma. daquelas que ajudam pessoas em apuros. que nos sorriem ao dizer bom dia. que nos dão dois dedos de conversa. porque sim.
É bom sentir que aqui também existem pessoas com o quentinho que encontramos as outras pessoas. as lá de cima. só é preciso olhar bem. separar o trigo do joio. como em toda a plantação existe.
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O amor é como a Lua, quando não cresce, míngua.






Proverbio de fonte desconhecida


Imagem de misha_gordin
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Postcrossing




Saudades de pegar numa caneta e papel e escrever.


Ritual que começa a ser esquecido com as novas tecnologias. É muito mais fácil, rápido e cómodo enviar e-mails. Não sou nada contra estas novas tecnologias que nos poupam muito tempo e deslocações.


Por outro lado as cartas transportam um pouco de nós..
.. o caminho que percorreu, o selo carimbado, o cheiro do papel, a tinta cravada que nos contava uma história de alguém que quis partilhar connosco. Algo que ficaria documentado para sempre.


Tinhamos uma particularidade entre nós: decoravamos o envelope e ou a carta ao nosso gosto e imaginação e todas as cartas eram diferentes dependendo do seu conteúdo e do nosso humor da altura.
Miminhos enviados por correio :)










Entretanto esse hábito foi-se perdendo no tempo...





Há uns dias andava a passear na net e tropeçei num conceito interessante de um português chamado Paulo Magalhães de Braga que teve esta excelente ideia de reinventar o correio na sua forma mais anónima possivel: mandas um postal a alguém de quem só sabes a morada e pouco mais (apenas aquilo que ela quiser) e por esse postal recebes um outro de outro alguém que também não conheçes. E assim sucessivamente formando um ciclo... mas isto torna-se mais interessante quando difundido pelo mundo inteiro. Os postais vêm de todo o lado. É o sistema que escolhe ao acaso a quem vais escrever e quem te escreverá.



Cultura a rodar por todo o mundo. Via ctt. Com selos, tinta, carimbos e o cunho de diferentes pessoas de diferentes partes do mundo.



E estes já vão a caminho do seu destino e ainda nem partiram e já tou ansiosa do que vou encontrar na minha caixa de correio.